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Os pôsteres improvisados do cinema em Gana

Em anos não muito remotos costumava-se ter uma TV sobre num pedestal nas pracinhas centrais das cidades do Interior do Nordeste brasileiro. Tinham portas para fechar ou abrir a cada seção diária. À noite os moradores traziam suas cadeiras e assistiam às novelas e jornais. Televisão e geladeira era um luxo caro demais para as cidades brasileiras do interior.

Em algumas cidades maiores havia um cinema e com muito pouco glamour. O suficiente para a projeção de um rolo de filme. Esse acontecimento peculiar do cinema e TV chegando aos lugares mais remotos de forma tímida e carente se deu no mundo inteiro.

Muitos anônimos na história foram os grandes heróis responsáveis por este fenômeno. Em Gana, na África Ocidental, por exemplo, havia o cinema móvel, levando exibições de filmes para vilas e áreas rurais sem cinemas ou eletricidade. Bastava um gerador à diesel, um videocassete e uma TV ou projetor carregados em um caminhão. Viajavam pelo país exibindo grandes sucessos de bilheteria.

Em Gana, especificamente, se deu outro evento paralelo ao cinema itinerante, o dos cartazes dos filmes. Não havia a disponibilidade de pôsteres originais dos filmes, essas apresentações eram feitas fora do circuito legal, nem tampouco havia os meios para imprimir.

A solução foi contratar artistas locais para pintá-los à mão em sacos de farinha usados. O que não esperavam é que tempos depois esses pôsteres fossem parar no mundo da arte, com os primeiros originais alcançando altos preços de colecionadores.

“Eles foram projetados para vender ingressos de cinema, o objetivo era fazer as pessoas entrarem”, disse Brian Chankin, um negociante e colecionador, por telefone de Gana à CNN.  “Às vezes eu assistia aos filmes e escolhia algumas ações dele”, disse Heavy Jay, um artista que possui um estúdio em Teshie, perto da capital de Gana.

Com a chegada da tecnologia e o fim da itinerância do cinema, ficou apenas o interesse dos colecionadores, o que levou os artistas a continuarem a produção, inclusive, com abertura de novas oficinas para atender a demanda.

Em 2015, Chankin abriu a Deadly Prey Gallery , um estúdio com sede em Chicago que trabalha com artistas ganenses. Os preços dos pôsteres comissionados variam de US $ 300 a US $ 600, e os mais solicitados são os grandes sucessos de bilheteria dos anos 1980 que tornaram os pôsteres famosos.

Fonte de pesquisa: CNN, texto baseado em artigo de Jacopo Prisco, design Observer, Regular Tschumi, Deadly Prey.

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