Entrevista

Entrevista com Tarsila Schubert

A vida se desenrola permeada de cores vibrantes. É a definição mais compacta possível da obra de Tarsila Schubert. Entrevistamos a artista quando ela ainda desenvolvia seu trabalho no Brasil. Transcrevemos para o leitor uma parte do bate-papo publicado originalmente no Imagens e Letras.

Hoje, em Dubai, seu atelier é o The Cave DXB, um criativo Studio-galeria, que também é um espaço onde artistas que residem na cidade podem chegar e criar.

A The Cave DXB existe desde 2016. “Comecei com um espaço só meu. Depois veio a Cave, que era para ser um espaço para produzir juntos, mas comecei a dar consultoria, fazer workshops e curadorias e foi crescendo”, reportou a artista num artigo de Thais Sousa da Agência de Notícias Brasil-Árabe.

A Street Art também faz parte do atual portfólio da artista, suas obras estão sempre presentes nas ruas de Dubai.

Tarsila Schubert diz-se seduzida pela literatura, poesia e música. Não é à toa que a obra “Basílio” cai tão bem nos versos: “De pescoço mole, o cabisbaixo; / Na cabeça quieta, a criação; / Sentado na cadeira, o viajante; / No aquário de ventania, num céu anoitado; / na mente a solução.”

Nasceu em Bauru e amou a pintura desde cedo.

Olavo Saldanha – Como uma artista enveredou pela odontologia, ou, como uma odontóloga enveredou pela arte?

Tarsila Schubert  – A arte antes da odontologia já habitava meus pensamentos, me interessei pela área da ciência/ saúde quando eu tinha 16 anos onde eu ingressei num curso de prótese dentária e posteriormente na faculdade de odontologia, pra mim a arte e a odontologia andam juntas desde então, são áreas distintas e eu não as misturo. São dois mundos diferentes que eu habito.

Olavo Saldanha – Quando você percebeu que a pintura era tão importante quanto a profissão?

Tarsila Schubert  – A Arte pra mim é algo sem padrões ou limites, eu sou livre e faço quando eu quero ou quando me sinto a vontade.  É  onde eu posso me expressar, sem ter que obedecer ou seguir algum pré-requisito, a odontologia não dá essa liberdade de criação.

Eu sou muito emocional, então tenho umas explosões de sentimento aqui dentro que precisam sair. A importância está aí, a arte pra mim é uma forma de eu manifestar meus pensamentos e emoções.

Por outro lado eu me interesso muito, sobre assuntos ligados a ciência, e também sobre o bem estar e saúde das pessoas, e a odontologia foi uma forma que eu encontrei para ajudar.

Olavo Saldanha – Como você resolveu apostar no seu estilo, nesta exuberância de cores?

Tarsila Schubert  – Não teve um marco, foi natural, se for resumir posso dizer, que é a única maneira que eu sei pintar, é assim.

Olavo Saldanha – A literatura parece ter força nas suas obras, como é este processo?

Tarsila Schubert – A literatura tem grande influência, mas não somente ela, a música, o cinema, qualquer coisa que me emocione.

Eu sempre gostei muito de ler, e se eu leio algo que realmente me toca, logo imagino uma imagem, é uma forma de ilustrar tal sentimento.

Olavo Saldanha – Que artistas preencheram teu imaginário, qual deles te serviu de referencia?

Tarsila Schubert  – Eu aprecio muitos artistas, os clássicos como Klimt, Andy warhol, Frida kahlo e Salvador Dali. Eu gosto do surrealismo, da pop art e do cubismo, estes  são os três movimentos que me dão maior referência.

 E aprecio muitos artistas como a Anna Anjos, Vitche, Jordan Metcalf, Banksy, Jeremyville, Beatriz Milhazes…

Olavo Saldanha – Como foi a sua primeira exposição?

Tarsila Schubert  – Foi em 2007, num lugar pequeno e charmoso de uma amiga, era uma espécie de um ateliê, onde ela me chamou para realizar minha primeira exposição, aceitei, e durante o evento vendi quase todas as telas, me surpreendi muito, e não imaginava que meu trabalho teria tal aceitação.

Olavo Saldanha – Que tela das que você pintou está mais marcada com teus sentimentos, aquela que você tem mais afeição?

Tarsila Schubert – Essa pergunta é muito difícil, e bem vasta… rs , se eu disser que todas, vai parecer generalizado? Pois então, são todas, é como escolher um filho dentro de dez como o favorito. Todas me trazem algum tipo de afeição, pois todas marcam algum momento ou sentimento que eu vivi.

Olavo Saldanha – Há algum projeto ou exposição em andamento?

Tarsila Schubert  – Sim, um dos projetos ocorre nesse mês de agosto, chamado “alma brasileira em formas e cores”. essa exposição tem o intuito de retratar a diversidade que existe no Brasil, cultura e folclore.

 Outro ainda esta em andamento para esse ano, será uma exposição coletiva, junto com o artista (fotógrafo) Marcos Almeida, com um tema sobre a Amazônia.

Olavo Saldanha  – O que você acha que poderia ser feito para incentivar mais o gosto dos jovens pelas artes?

Tarsila Schubert  – Deve existir mais acesso, principalmente nas escolas, é onde as maiorias de nós têm o primeiro contato com a arte. O sistema educacional nessa área usa uma técnica, onde se torna, muitas vezes, uma disciplina sem motivações, creio que deveria existir um contato mais direto, onde houvesse liberdade de criação, e um esclarecimento mais aprofundado sobre o assunto.

Fontes de pesquisa: Imagens e Letras, Dubai Week,  ANBA – Agência de Notícias Brasil-Árabe, Instagram da Artista.

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