Pintura

Artemisia, a humilhação e a glória

A história da artista Artemisia gentileschi poderia começar logo com o louvor da sua obra, mas é necessário falar da vida que se tornou a história de todas as mulheres forçadas a uma espiral de abuso e opressão. 

É a história de uma mulher que é abusada, maltratada, humilhada e desacreditada, mas não roubam-lhe o sonho. Uma guerreira em um campo de batalha, em pleno século 17, onde tudo para as mulheres é limitado à obediência servil. No entanto, ela optou por não se calar quando o silêncio seria mais confortável.

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O estupro e a humilhação pública

Artemisia foi estuprada por seu tutor em artes, homem casado e amigo do seu pai. Tassi violentou a aluna, mas não contava que ela teria forças para arrastá-lo ao tribunal e buscar justiça.

Uma reclamação que lhe custou a degradação pública e o rótulo de mulher de vida fácil. Ela tinha 18 anos e sofreu ainda muito mais humilhações durante o julgamento contra seu estuprador.

Foi submetida a exames ginecológicos em público para verificar a presença real de sinais de violência sexual, foi interrogada sob tortura para verificar a autenticidade das acusações feitas contra Tassi, sendo submetida à uma tortura chamada “della Sibila”, prática de amarrar os dedos da vítima com cordas e depois apertá-los com um torno sob a pressão gradual de uma clava nas falanges, até finalmente chegaram a esmagar carne e ossos.

Apesar do sofrimento atroz imposto, Artemisia não sucumbiu a uma verdade conveniente e não se retirou da realidade, ela nunca se retratou de sua versão. Se tornou o símbolo do feminismo que resiste à maldade e morbidez do mundo.

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A superação, a vida e a obra

Nascida em Roma em 8 de julho de 1593, sob o signo de Câncer, Artemisia Lomi Gentileschi se tornou a primeira mulher a ser membro da Academia de Belas Artes de Florença. A obra “susana e os anciões” ela pintou com apenas 17 anos. Morreu em 31 de janeiro de 1654 após uma vida passada em nome da arte, ferida por esses terríveis episódios com reflexos sinistros e indeléveis em sua alma.

No entanto, o poder visual das suas obras é transmitido de maneira brilhante, Ela foi uma importante defensora da segunda geração do realismo dramático de Caravaggio.

Pintou temas que eram tradicionalmente reservados a artistas masculinos e para o olhar masculino; transformando servas humildes em conspiradores corajosos e vítimas em sobreviventes.

A ousadia de uma mulher invadir o universo dos grandes mestres da pintura e se postar entre eles como um nome a ser honrado é de uma relevância incalculável para o público contemporâneo e principalmente para a luta feminina por direitos iguais e respeito.

Fontes de pesquisa: National Gallery, Arthistory Project, Apollo Magazine, Art-Prints, Wikipédia, Giovanna Tedde em Donna Glamour, Lindro.

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